Perfil de Resultados Proficiência Clínica
Micologia
Mai/2013

Identificação
  Item MI01
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Scytalidium sp. 54 30,3
Scytalidium lignicola (S. dimidiatum) 50 28,1
Scytalidium lignicola 12 6,7
Aureobasidium pullulans 12 6,7
Cladosporium sp 8 4,5
Cladophialophora bantiana 5 2,8
Geotrichum sp. 3 1,7
Coccidioides immitis 3 1,7
Exophiala sp. 3 1,7
Cladophialophora sp 3 1,7
Aspergillus sp. 2 1,1
Aspergillus fumigatus 2 1,1
Curvularia sp. 2 1,1
Wangiella dermatitidis 2 1,1
Bipolaris sp. (Drechslera sp.) 2 1,1
Hendersonula toruloidea 2 1,1
Neoscytalidium dimidiatum 1 0,6
Candida krusei 1 0,6
Coccidioides sp. 1 0,6
Hortae werneckii/Exophiala werneckii 1 0,6
Fonsecaea pedrosoi 1 0,6
Geotrichum candidum 1 0,6
Madurella sp. 1 0,6
Mucor sp. 1 0,6
Rhizopus sp. 1 0,6
Syncephalastrum sp. 1 0,6
Trichophyton mentagrophytes 1 0,6
Wangiella sp. 1 0,6
Alternaria sp. 1 0,6
Resultado(s) aceito(s) Neoscytalidium dimidiatum ou Scytalidium lignicola (S. dimidiatum) ou Scytalidium lignicola ou Scytalidium sp. ou Hendersonula toruloidea
Resultados adequados 66,9%
Total de participantes 178

Identificação por imagem - Identificação
  Item MI02
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Scedosporium apiospermum 138 72,6
Pseudallescheria boydii 15 7,9
Microsporum nanum 5 2,6
Blastomyces dermatitidis 5 2,6
Sporothrix schenckii 4 2,1
Epidermophyton sp. 2 1,1
Trichophyton rubrum 2 1,1
Nocardia sp. 2 1,1
Sporothrix sp. 2 1,1
Madurella mycetomatis 2 1,1
Sepedonium sp. 1 0,5
Cladosporium sp 1 0,5
(Outro, não listado) 1 0,5
Scedosporium sp. 1 0,5
Basidiobolus sp. 1 0,5
Candida sp. 1 0,5
Candida albicans 1 0,5
Epidermophyton floccosum 1 0,5
Hortae werneckii/Exophiala werneckii 1 0,5
Loboa loboi 1 0,5
Madurella grisea 1 0,5
Paracoccidioides sp. 1 0,5
Pseudallescheria sp. 1 0,5
Resultado(s) aceito(s) Scedosporium sp. ou Scedosporium apiospermum ou Pseudallescheria boydii ou Pseudallescheria sp.
Resultados adequados 81,6%
Total de participantes 190
 
  Item MI03
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Coccidioides immitis 78 42,2
Coccidioides sp. 65 35,1
Coccidioides posadasii 11 5,9
Trichophyton sp. 5 2,7
Trichophyton mentagrophytes 4 2,2
Paracoccidioides brasiliensis 3 1,6
Sporothrix sp. 2 1,1
Sporothrix schenckii 2 1,1
Madurella sp. 2 1,1
Trichosporon sp. 2 1,1
Scedosporium apiospermum 1 0,5
Microsporum sp. 1 0,5
Acremonium sp. (Cephalosporium sp.) 1 0,5
Aspergillus terreus 1 0,5
Blastomyces dermatitidis 1 0,5
Hortae werneckii/Exophiala werneckii 1 0,5
Geotrichum sp. 1 0,5
Histoplasma sp. 1 0,5
(Outro, não listado) 1 0,5
Paracoccidioides sp. 1 0,5
Paracoccidioides loboi 1 0,5
Resultado(s) aceito(s) Coccidioides posadasii ou Coccidioides sp. ou Coccidioides immitis
Resultados adequados 83,2%
Total de participantes 185

MI01 - Comentário técnico
A cultura em ágar Sabouraud dextrose revelou colônias algodonosas, cinza escuro a marrom escuro, com reverso preto. O exame microscópico demonstrou hifas septadas castanhas com produção de cadeias de artroconídios castanhos com duas células (didimosporos). Após duas semanas pode apresentar picnídios. As características morfológicas foram compatíveis com diagnóstico de Scytalidium dimidiatum, também conhecido como Fusicoccum dimidiatum; o organismo em seu estado de picnidial classifica-o como Nattrassia mangiferae. A identificação molecular realizada mostrou 100% de identidade com Scytalidium hyalinum e 99% identidade com F.dimidiatum (sinonímia com S. dimidiatum). Outra técnica molecular empregada mostrou 100% identidade com S. hyalinum como também com F. dimidiatum. O S. hyalinum é mutante de S. dimidiatum que apresenta deficiência de melanina. Os métodos moleculares não distinguiram entre estas espécies, e a diferença foi baseada na produção de pigmento melânico.

O fungo apresenta uma sinonímia que deve ser lembrada: Scytalidium dimidiatum, Hendersonula toruloidea e atualmente Neoscytalidium dimidiatum. Como o diagnóstico final é enviado para o médico clínico e dermatologista, que nem sempre estão atualizados com esta nomenclatura variada, deve ser adotado o Scytalidium dimidiatum encontrado nos livros consultados por estes profissionais.

Os fungos dematiáceos (preto) representam grupos grandes e heterogêneos que causam infecções principalmente cutâneas, subcutâneas e córneos. Estes organismos são difundidos no ambiente, encontrados na terra, madeira e em decomposição de vegetais. A infecção humana ocorre principalmente depois da implantação traumática. O S. dimidiatum é um patógeno humano principal de onicomicoses e tinea pedis, causando 34,6% e 46% de casos, respectivamente. O S. dimidiatum é diferenciado dos dermatófitos por sua característica de hifa sinuosa, irregular no exame direto do raspado cutâneo e as colônias crescem rapidamente, sendo sensíveis a cicloheximida.

A infecção fúngica invasiva é frequentemente difícil de erradicar só por antifúngicos, necessitando de debridamento cirúrgico. No caso apresentado, o S. dimidiatum foi isolado depois de 2 semanas de tratamento de voriconazol intravenoso. Avaliação das atividades invitro de vários agentes antifúngicos mostrou que a anfotericina B e voriconazol exibem o mais baixo MICs para Scytalidium spp, entretanto anfotericina B foi  ineficaz num caso de infecção cerebral. Sugere-se que a presença de melanina no S. dimidiatum represente um papel de resistência às drogas. Os isolados de Scytalidium spp. (branco e preto) são igualmente resistentes aos antifúngicos.

O empiema fúngico torácico que normalmente afeta os pacientes hospitalizados em unidades de cuidado intensivo, está associado com morbidez e alta taxas de mortalidade, e sua incidência vem aumentando. No caso apresentado, a infecção da pleura pelo S. dimidiatum, a porta de entrada do fungo não foi determinada. A toracocentese foi realizada 3 anos antes da admissão, o paciente não tinha nenhuma onicomicose e nem história de traumatismo. Assim, embora a via de infecção para o espaço pleural seja desconhecida, a cronicidade da doença  comprovada por hepatosplenomegalia, sugerem que o fungo foi inoculado no espaço pleural durante a toracocentese à 3 anos. É provável que o derrame pleural crônico e a presença de sangue no espaço pleural favoreceram o crescimento fúngico.

Este caso de infecção invasiva pelo S. dimidiatum no órgão envolvido, a cronicidade da infecção e a ausência de imunodeficiência mostram a importância do caso. A revisão da literatura enfatiza a raridade desta patologia. Além da terapia antifúngica apropriada, deve-se considerar intervenção cirúrgica para um melhor resultado.

O critério utilizado na avaliação deste item levou em consideração a identificação do gênero Scytalidium sp e Hendersonula spp. Dessa forma, todas as diferentes espécies identificadas pelos usuários do programa foram avaliadas como 2A, uma vez que a conduta clínica não depende, neste caso, da identificação dos diferentes grupos.

MI02 - Comentário técnico

O caso apresenta uma micose subcutânea constituída por infecções denominadas Micetomas. Os micetomas são reconhecidos, clinicamente:

1) pelo aumento de volume da região atingida (tumoração)
2) fistulização múltipla
3) supuração, contendo em si o elemento mais característico do micetoma: o grão de micetoma.

O micetoma pode ser subdividido em dois subgrupos:

  • Primeiro subgrupo: Micetomas actinomicóticos, cujos agentes etiológicos são microrganismos conhecidos por Actinomicetos, hoje incluídos entre as bactérias (ordem Actinomycetales).
  • Segundo subgrupo: Micetomas eumicóticos (Micetomas maduromicóticos ou, simplesmente, Maduromicoses). Os agentes etiológicos são fungos verdadeiros (Eumicetos) dos quais podemos citar: Madurela spp., Scedosporium sp., Acremonium spp., Aspergillus spp.

O grão, por sua morfologia microscópica e por seu cultivo em meios de laboratórios, é que constitui o dado definitivo para o diagnóstico. Na micromorfologia da colônia são observados hifas septadas e conídios piriformes (aleuroconídios: clavados ou ovoides, marrom-claros) Fig. 01.

O critério utilizado na avaliação deste item levou em consideração a identificação do gênero Scedosporium spp.Pseudallescheria spp. Dessa forma, todas as diferentes espécies identificadas pelos usuários do programa foram avaliadas como 2A, uma vez que a conduta clínica não depende, neste caso, da identificação dos diferentes grupos. 

 item 2 micologia_1


MI03 - Comentário técnico

O caso apresentado faz parte de doença pulmonar fúngica de ocorrência nas Américas:  Coccidioidomicose. Os agentes etiológicos são o Coccidioides immitis e C. posadasii, fungos dimórficos. Os esporos são encontrados no solo seco alcalino do sudoeste norte-americano e em solos similares da América do Sul e do norte do México.

Devido a sua frequente ocorrência no Vale San Joaquin na Califórnia, a doença algumas vezes é referida como febre do Vale ou febre San Joaquin. No tecido, o organismo forma um corpo de paredes espessas, repleto de endósporos, denominado esférula. No solo, forma filamentos que se reproduzem pela formação de artrósporos. O vento leva os artroconídios para transmitir a infecção.

Os sintomas da coccidioidomicose incluem dor torácica, febre, tosse e perda de peso. Em alguns casos a doença dissemina pelo corpo semelhante à tuberculose. A doença tem tendência a produzir abscessos cutâneos.
No Brasil, o agente causador pertence à espécie C. posadasii , como tem demonstrado a biologia molecular. Assim no caso apresentado, o paciente era caçador de tatu do Piaui.

O diagnóstico é realizado de modo mais confiável pela identificação das esférulas em tecidos ou fluidos (fig. 02). O exame direto apresentado neste caso clínico é importante para o treinamento dos profissionais na identificação da forma fúngica em esférulas. O organismo pode ser cultivado (fig. 01) a partir dos tecidos comprometidos, mas deve-se ter cautela com o manuseio em laboratório, devido à possibilidade de aerossóis infecciosos.

O critério utilizado na avaliação deste item levou em consideração a identificação do gênero Coccidioides spp. Dessa forma, todas as diferentes espécies identificadas pelos usuários do programa foram avaliadas como 2A, uma vez que a conduta clínica não depende, neste caso, da identificação dos diferentes grupos.  

 

  

item 3 micologia _3_1